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Gestão de pessoas

Entenda o que é e como funciona o dissídio

O dissídio salarial é o reajuste de remuneração definido em negociação coletiva entre sindicatos e empresas.

Ana Freitas

Ana Paula Freitas

13/11/2023
18/08/2026
Entenda o que é e como funciona o dissídio
  • O que é dissídio salarial e como funciona
  • Quem tem direito ao dissídio salarial?
  • Quais são os tipos de dissídio salarial?
  • Como calcular?
  • Quando o dissídio deve ser pago?
  • Diferenças entre dissídio, acordo e convenção coletiva
  • O que a lei diz?
  • Como acompanhar as atualizações em dissídios
  • Perguntas frequentes sobre dissídio

ÍNDICE

  • O que é dissídio salarial e como funciona
  • Quem tem direito ao dissídio salarial?
  • Quais são os tipos de dissídio salarial?
  • Como calcular?
  • Quando o dissídio deve ser pago?
  • Diferenças entre dissídio, acordo e convenção coletiva
  • O que a lei diz?
  • Como acompanhar as atualizações em dissídios
  • Perguntas frequentes sobre dissídio

O termo "dissídio" frequentemente aparece no ambiente corporativo, especialmente quando se trata de questões salariais e negociações trabalhistas.

Entender o que isso significa e como acompanhar as atualizações é essencial para empregadores e colaboradores.

Por isso, neste artigo, exploraremos o dissídio salarial, dissídio retroativo, diferenças entre dissídio individual e coletivo, comparação com acordos e convenções coletivas, além de abordar o que a legislação diz sobre o dissídio.

Entenda o que é dissídio
Entenda o que é e como funciona o dissídio.

O que é dissídio salarial e como funciona

Em primeiro lugar, o dissídio salarial refere-se ao processo de revisão e ajuste dos salários dos trabalhadores. Geralmente, isso ocorre anualmente e resulta de negociações entre sindicatos laborais e patronais.

Sindicato laboral

Um sindicato laboral é uma organização formada por trabalhadores de uma determinada categoria ou setor profissional, com o objetivo de proteger e promover os interesses trabalhistas desses membros.

Funções do sindicato laboral:

  • Negociação Coletiva: negociam acordos coletivos de trabalho em nome dos trabalhadores, como, por exemplo, salários, benefícios, condições de trabalho, e outros direitos laborais.
  • Defesa dos Direitos: atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores, garantindo condições justas e seguras de trabalho.
  • Mobilização: organizam manifestações, greves e outras formas de mobilização para alcançar objetivos comuns.

Sindicato patronal

Um sindicato patronal representa os interesses dos empregadores, empresários e donos de empresas de um setor específico ou região.

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Funções:

  • Negociação Coletiva: participam das negociações coletivas com os sindicatos laborais para estabelecer acordos que afetam tanto empregadores quanto empregados.
  • Advocacia Empresarial: defendem os interesses das empresas, buscando condições favoráveis para a gestão empresarial.
  • Relações Trabalhistas: auxiliam os empregadores a entenderem e cumprirem as leis trabalhistas, contribuindo para relações mais saudáveis entre empregadores e empregados.

Assim, essas negociações buscam equilibrar as necessidades dos trabalhadores em relação às condições econômicas da empresa, garantindo aumento real ou, pelo menos, a reposição das perdas inflacionárias.

As negociações trabalhistas referem-se ao processo pelo qual empregadores e representantes dos trabalhadores (muitas vezes sindicatos laborais) discutem e chegam a acordos sobre condições de emprego, salários, benefícios e outros aspectos relacionados ao trabalho.

Essas negociações podem ocorrer em diversos contextos e níveis, e o resultado geralmente é formalizado em um documento chamado acordo coletivo de trabalho.

Quem tem direito ao dissídio salarial?

Todo trabalhador contratado sob o regime da CLT e representado por um sindicato de categoria tem direito ao reajuste definido no dissídio, independentemente da função ou do valor que já recebe.

Em outras palavras, mesmo quem ganha acima do piso salarial da categoria é contemplado pelo aumento negociado, afinal, o reajuste é aplicado sobre o salário vigente de cada colaborador, não apenas sobre o piso.

O direito é automático a partir do momento em que a negociação coletiva é homologada: o trabalhador não precisa solicitar individualmente o reajuste, já que ele passa a valer para toda a categoria representada pelo sindicato. A exceção fica por conta do dissídio individual, quando um colaborador específico busca a revisão salarial por conta própria, geralmente com apoio do sindicato.

Uma situação que gera dúvida frequente entre equipes de RH é a ausência de sindicato representativo. Nesses casos, não existe instrumento coletivo obrigatório e, consequentemente, não há dissídio a ser aplicado. Caso haja reajuste, ele passa a depender de negociação direta entre empresa e colaborador.

Para o Departamento Pessoal, o ponto de atenção prático é identificar corretamente o sindicato da categoria de cada colaborador e acompanhar a data-base correspondente, já que o direito ao dissídio varia conforme a convenção coletiva vigente para cada função dentro da empresa.

Quais são os tipos de dissídio salarial?

Dissídio retroativo

O dissídio retroativo se refere aos casos especiais de homologação tardia de acordos realizados entre as partes.

Nesse caso, a empresa tem o dever de pagar a diferença retroativamente, desde a data-base até a data definitiva da homologação do reajuste salarial, correspondente aos dias trabalhados.

Isso evita que os trabalhadores sofram prejuízos por atrasos nas negociações.

Diferença entre dissídio individual e dissídio coletivo

Ele pode ocorrer em duas formas principais: individual e coletiva.

O dissídio individual é quando um único trabalhador busca a revisão salarial, muitas vezes apoiado pelo sindicato.

Já o dissídio coletivo envolve a negociação entre representantes dos trabalhadores (sindicato) e empregadores. Esse, geralmente, é mais comum e impacta um grupo de funcionários, possibilitando uma abordagem mais abrangente nas negociações.

Como calcular?

O cálculo do dissídio parte do percentual de reajuste definido na negociação coletiva entre sindicato e empresas, aplicado sobre o salário atual do trabalhador, e não sobre o piso da categoria. A fórmula é simples: salário vigente x percentual negociado + valor original.

Confira um exemplo prático: um dissídio de 5% aplicado a um salário de R$ 2.000 resulta em um reajuste de R$ 100, elevando a remuneração para R$ 2.100. O mesmo percentual, aplicado a um salário de R$ 5.000, gera um reajuste de R$ 250, totalizando R$ 5.250.

Como cada categoria negocia seu próprio índice, não existe um percentual único válido para todas as empresas. O valor exato deve ser consultado na convenção ou acordo coletivo registrado no sistema Mediador do Ministério do Trabalho, ou diretamente com o sindicato da categoria.

Quando o dissídio é retroativo, o cálculo precisa considerar também a diferença acumulada entre a data-base e a data de homologação do acordo. Nesse caso, o dissídio será aplicado sobre os meses já trabalhados nesse intervalo, e não apenas sobre o salário a partir da homologação.

Colaboradores com menos de um ano de casa (ou seja, admitidos depois da data-base da categoria) costumam ter direito ao reajuste de forma proporcional ao tempo trabalhado até a próxima data-base, e não ao percentual integral.

A lógica é semelhante à do 13º salário proporcional: quem entrou poucos meses antes da data-base recebe uma fração do reajuste, referente ao período de casa. A regra exata dessa proporcionalidade varia de convenção para convenção. Por isso o RH precisa consultar o instrumento coletivo da categoria antes de aplicar o cálculo para admissões recentes.

Quando o dissídio deve ser pago?

A "data-base" (ou data-base salarial) refere-se à data na qual as partes envolvidas em negociações coletivas, como sindicatos laborais e empregadores, estabelecem ou revisam os termos e condições do contrato de trabalho, especialmente no que diz respeito a salários e benefícios.

A ideia por trás da data-base é que, em intervalos regulares, geralmente anuais, as partes envolvidas se reúnem para discutir e negociar ajustes nos salários e benefícios dos trabalhadores. Isso leva em consideração fatores como inflação, custo de vida e mudanças nas condições econômicas.

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Caso o empregado seja demitido sem justa causa, dentro do período de 30 dias que antecede a data-base de sua categoria, o empregador ficará obrigado a indenizar o trabalhador no momento da sua rescisão.

O valor de referência para a indenização adicional será o equivalente a um salário mensal do empregado, na data da sua dispensa.

Diferenças entre dissídio, acordo e convenção coletiva

É fundamental a distinção entre dissídio, acordo e convenção coletiva.

 O dissídio é o processo de negociação para revisão salarial, como discutido anteriormente.

Um acordo coletivo é um pacto entre sindicato e empregadores, em que se estabelecem as condições de trabalho, salários, benefícios, entre outros.

Já a convenção coletiva é um acordo mais amplo, muitas vezes entre categorias profissionais e econômicas, abrangendo várias empresas e trabalhadores.

Confira um resumo dessa diferença:

DissídioAcordo coletivoConvenção coletiva
O que éProcesso de negociação (ou disputa) para revisão salarial entre sindicato e empregadoresPacto que estabelece condições de trabalho, salários e benefíciosAcordo mais amplo entre categorias profissionais e econômicas
Quem participaSindicato laboral e sindicato patronal (ou empresa, no dissídio individual)Sindicato dos trabalhadores e uma ou mais empresas específicasSindicatos representativos de categorias profissionais e econômicas
AbrangênciaUma categoria ou um trabalhador específicoUma ou mais empresas determinadasTodas as empresas e trabalhadores da categoria, numa base territorial
Quando é usadoQuando há impasse na negociação e o caso pode ir à Justiça do TrabalhoQuando empresa(s) específica(s) e sindicato chegam a um entendimento diretoQuando a negociação ocorre em nível mais amplo, entre federações/confederações

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O que a lei diz?

A legislação trabalhista brasileira, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelece diretrizes para o dissídio. O artigo 611 da CLT menciona que as convenções e acordos coletivos têm prevalência sobre a lei em determinadas situações, desde que não contrariem direitos mínimos garantidos aos trabalhadores.

 Art. 611 - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho.                    

§ 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.                      

§ 2º As Federações e, na falta desta, as Confederações representativas de categorias   econômicas ou profissionais poderão celebrar convenções coletivas de trabalho para reger as relações das categorias a elas vinculadas, inorganizadas em Sindicatos, no âmbito de   suas representações.  

Além disso, o artigo 616 da CLT estabelece que as decisões em dissídios coletivos são obrigatórias para as partes envolvidas.

Art. 616 - Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar-se à negociação coletiva. 

§ 1º Verificando-se recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes.  

§ 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo.  

§ 3º - Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo.  

§ 4º - Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente.

Ademais, a legislação também define o papel dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) na resolução de dissídios. Quando as partes não conseguem chegar a um acordo, o TRT pode intervir e tomar uma decisão vinculativa para ambas as partes. Dessa forma, destaca-se a importância do papel do judiciário na resolução de conflitos trabalhistas.

Como acompanhar as atualizações em dissídios

Para trabalhadores e empregadores acompanharem as atualizações em dissídios, é crucial estar atento aos comunicados emitidos pelos sindicatos e órgãos competentes. Os sindicatos normalmente informam os membros sobre as negociações em andamento e os resultados alcançados. Além disso, a divulgação oficial das decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho pode ser acessada online.

A internet também oferece recursos valiosos para entender os detalhes e as implicações dos dissídios em andamento. Sites oficiais dos órgãos trabalhistas, blogs especializados e notícias relacionadas ao mundo jurídico, por exemplo, são fontes confiáveis de informações sobre o tema.

Em resumo, o dissídio desempenha um papel crucial no cenário trabalhista, moldando as condições salariais e de trabalho dos funcionários. Por isso, compreender suas nuances e estar atualizado sobre as negociações em curso é essencial para que trabalhadores e empregadores possam tomar decisões informadas e garantir relações de trabalho justas e equilibradas.

Veja também:

youtube.com/watch?si=jzw-njLjLEtWKnYR&v=7vzPb_jg0aQ&feature=youtu.be

Perguntas frequentes sobre dissídio

Ficou com alguma dúvida sobre dissídio? Veja se ela está respondida abaixo.

O que é dissídio salarial?

É o processo de revisão e reajuste dos salários de uma categoria profissional, resultado de negociação entre sindicato laboral e patronal, aplicado a partir da data-base da categoria.

Quem tem direito ao dissídio?

Todo trabalhador contratado pelo regime CLT e representado por sindicato da categoria tem direito ao reajuste definido no dissídio, mesmo quem já recebe salário acima do piso.

Quais são os tipos de dissídio?

O dissídio pode ser individual, quando um único trabalhador busca a revisão salarial, ou coletivo, quando a negociação envolve o sindicato representando todo o grupo da categoria. Há também o dissídio retroativo, quando a homologação do acordo ocorre com atraso.

Como calcular o valor do dissídio?

O percentual definido na negociação coletiva é aplicado sobre o salário atual do trabalhador. Um dissídio de 5% sobre um salário de R$ 2.000, por exemplo, resulta em reajuste de R$ 100.

Quando o dissídio deve ser pago?

O reajuste vale a partir da data-base da categoria. Se a homologação atrasar (dissídio retroativo), a empresa deve pagar a diferença retroativa aos dias trabalhados desde a data-base.

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    Entenda o que é e como funciona o dissídioAna Freitas

    Ana Paula Freitas

    Especialista em soluções RH Tech e condominiais, Ana Paula Freitas é graduada em Ciências Contábeis, pós-graduada em Direito Empresarial e Tributário pela FIPECAFI e possui Executive MBA em Direito Trabalhista pela FGV. Atuou como Supervisora de Departamento Pessoal em administradora de condomínios antes de ingressar na Group Software, onde hoje lidera Inteligência de Mercado para RH Tech. No blog da Group, assina conteúdos sobre Departamento Pessoal, RH e gestão condominial.


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