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Reforma do setor elétrico: o que muda para os condomínios?

A reforma do setor elétrico é a atualização das regras de energia no Brasil, com abertura de mercado e mudanças nas tarifas.

Alberto Teixeira

Alberto Teixeira

04/03/2026
05/06/2026
Reforma do setor elétrico: o que muda para os condomínios?
  • O que é a reforma do setor elétrico?
  • Principais mudanças e impactos
  • Como a migração para o mercado livre funciona para condomínios?
  • Como administradoras podem usar tecnologia para se preparar para as mudanças
  • Reforma do setor elétrico e condomínios: prepare sua gestão para o que vem
  • Perguntas frequentes sobre reforma do setor elétrico

ÍNDICE

  • O que é a reforma do setor elétrico?
  • Principais mudanças e impactos
  • Como a migração para o mercado livre funciona para condomínios?
  • Como administradoras podem usar tecnologia para se preparar para as mudanças
  • Reforma do setor elétrico e condomínios: prepare sua gestão para o que vem
  • Perguntas frequentes sobre reforma do setor elétrico

A reforma do setor elétrico introduz mudanças relevantes no modelo regulatório de energia. A MP 1.304/2025, convertida na Lei 15.269/2025, altera regras de contratação e mexe na lógica das tarifas de energia elétrica. 

Na prática, essas mudanças chegam diretamente à rotina dos condomínios. Para síndicos e administradoras, isso deixa de ser apenas uma discussão institucional e passa a influenciar o orçamento das áreas comuns, a viabilidade de energia solar no condomínio e a migração para o mercado livre de energia.

O debate ganhou força nos últimos anos. No entanto, foi a publicação da lei no Diário Oficial que formalizou a abertura gradual do mercado e ajustes na tarifa social. Ao mesmo tempo, o crescimento da geração distribuída e a revisão de encargos e subsídios pressionam administradoras a entender melhor a composição de custos.

Por isso, quem atua com gestão condominial financeira precisa acompanhar esse movimento. A administradora que ignora o tema perde capacidade de orientar assembleias, avaliar contratos e projetar custos futuros.

O que é a reforma do setor elétrico?

A reforma do setor elétrico é o conjunto de mudanças regulatórias introduzidas pela MP 1.304/2025 e consolidadas na Lei 15.269/2025. A proposta moderniza o modelo de contratação e tarifação de energia no Brasil.

O objetivo é ampliar a abertura do mercado de energia, rever subsídios e atualizar regras diante do avanço das fontes renováveis.

Dois eixos estruturam essa transformação: 

  • ampliação gradual do mercado livre de energia elétrica, permitindo que consumidores de baixa tensão, hoje enquadrados no Grupo B, como condomínios residenciais, escolham seu fornecedor nos próximos anos;
  • reformulação da tarifa social de energia elétrica, com ajustes no modelo de subsídios e na forma como esses custos aparecem na conta.

A necessidade da reforma decorre de um problema conhecido no setor elétrico brasileiro. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) acumulou encargos que pressionam a conta de luz. Além disso, o sistema passou a conviver com maior participação de energia solar e eólica, o que exige atualização do modelo de contratação.

As mudanças ocorrem de forma escalonada entre 2026 e 2028. Portanto, não se trata de uma virada imediata, mas de um cronograma que exige planejamento.

Leia também: Energia solar por assinatura: o guia definitivo para reduzir custos em condomínios

Principais mudanças e impactos

Para entender os impactos da reforma do setor elétrico, vale observar o modelo anterior. O setor elétrico brasileiro operava com forte concentração de fornecedores no ambiente regulado. O consumidor de baixa tensão não escolhia de quem comprar energia.

Na prática, ele pagava a tarifa definida pela distribuidora local, com encargos embutidos. Esse modelo limitava a competição e reduzia a margem de negociação para consumidores como condomínios.

A reforma do setor elétrico brasileiro busca ampliar a competição no mercado livre de energia no Brasil e redistribuir custos no sistema.

Entre as principais alterações previstas na Lei 15.269/2025 estão:

  • abertura gradual do mercado livre para consumidores de baixa tensão;
  • revisão de encargos e subsídios vinculados à CDE;
  • atualização da tarifa social;
  • adaptação regulatória para integrar melhor fontes renováveis ao sistema.

Para condomínios, o impacto aparece em diferentes frentes, como: 

Migração para o mercado livre

Condomínios de alta tensão (Grupo A) já podem contratar energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Com a abertura do mercado, unidades de baixa tensão também poderão avaliar essa alternativa.

Nesse cenário, a escolha depende de análise contratual e do perfil de consumo das áreas comuns. O objetivo é verificar se a migração pode gerar economia ou maior previsibilidade de custos.

Energia solar e geração distribuída

A expansão da geração distribuída alterou a lógica de investimento em energia solar no condomínio. Muitos empreendimentos passaram a avaliar a instalação de painéis fotovoltaicos como estratégia de redução de despesas.

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A reforma do setor elétrico dialoga com esse cenário ao ajustar subsídios e encargos do sistema. Por isso, a decisão sobre instalar geração própria exige simulações financeiras mais detalhadas.

Leia também: Condomínio sustentável: como aplicar boas práticas de sustentabilidade na gestão condominial

Infraestrutura para carros elétricos

O aumento da circulação de carros elétricos também pressiona a demanda energética nas áreas comuns. Garagens passam a receber solicitações para instalação de carregadores individuais.

Nesse contexto, a administradora precisa revisar regulamentos internos. Também é necessário avaliar a capacidade da rede elétrica do condomínio antes de autorizar novas instalações.

Tarifa social

A atualização da tarifa social de energia elétrica altera a forma de concessão do benefício. A mudança foi estruturada a partir da MP 1.300/2025, posteriormente convertida na Lei 15.235/2025.

A nova legislação ampliou o alcance do benefício e passou a prever gratuidade para consumos de até 80 kWh por mês. A regra se aplica a famílias de baixa renda enquadradas nos critérios do programa.

Embora voltada a consumidores de baixa renda, essa alteração influencia o equilíbrio geral dos subsídios no setor elétrico brasileiro.

Diante desse quadro, decisões energéticas deixam de ser pontuais. Elas passam a integrar o planejamento orçamentário do condomínio, com reflexos diretos no rateio e na previsão de despesas.

Como a migração para o mercado livre funciona para condomínios?

A migração para o mercado livre de energia do condomínio exige análise prévia e etapas formais. Mas existem alguns detalhes a serem considerados nesse processo. Hoje, podem migrar:

  • consumidores do Grupo A (alta tensão), já autorizados a atuar no ACL; 
  • consumidores que atendam aos requisitos técnicos definidos pela regulação vigente.

A partir do cronograma da reforma do setor elétrico, consumidores do Grupo B (baixa tensão) terão acesso progressivo ao mercado livre.

O processo costuma ocorrer por meio de uma comercializadora de energia. No modelo varejista, o condomínio não precisa operar diretamente na CCEE, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

A empresa contratada assume a interlocução com o mercado e a gestão contratual. Dessa forma, o condomínio conta com apoio técnico durante os trâmites regulatórios.

Antes de decidir pela migração de energia elétrica, a administradora deve avaliar alguns fatores:

  • consumo médio mensal das áreas comuns;
  • perfil de carga ao longo do dia;
  • contratos vigentes com distribuidora;
  • possibilidade de contratação conjunta de unidades sob mesma titularidade.

Condomínios menores podem unir cargas de áreas comuns para atingir volume atrativo. Já empreendimentos com elevadores, bombas e sistemas de climatização robustos costumam apresentar perfil mais adequado à migração.

Muitos gestores adiam a análise por considerarem o processo complexo. No entanto, grande parte das etapas operacionais da migração é conduzida pela comercializadora de energia contratada, que apoia o condomínio nos trâmites regulatórios e contratuais. O ponto decisivo costuma estar na qualidade do diagnóstico inicial.

Leia também: Economia de energia condominial: tecnologia e sustentabilidade em condomínios

Como administradoras podem usar tecnologia para se preparar para as mudanças

Como é de se esperar, a reforma dialoga com a gestão financeira do condomínio. Sem dados organizados, qualquer decisão sobre migração ou investimento em geração própria se baseia em estimativas frágeis.

Por isso, a administradora de condomínios pode iniciar a preparação com três ações objetivas:

  1. Mapear perfil de consumo

    Identifique quais condomínios sob gestão já se enquadram nos critérios para migração futura. O mapeamento ajuda a antecipar cenários e priorizar análises.

  2. Atualizar convenções internas

    Revise regras sobre instalação de carregadores de veículos elétricos e uso das áreas técnicas. A adaptação normativa evita conflitos e facilita decisões em assembleias.

  3. Centralizar dados em sistema confiável

    Utilize software de gestão condominial para consolidar medições, rateios e histórico de despesas. A organização dessas informações fortalece a tomada de decisão.

Nesse contexto, soluções especializadas ajudam a estruturar a gestão de consumo e energia nos condomínios. Com dados de consumo organizados e alternativas de fornecimento analisadas de forma estruturada, a administradora amplia a capacidade de negociação e reduz erros no rateio das despesas energéticas.

Vale ressaltar, porém, que a eficiência energética do condomínio não decorre apenas de tecnologia. Ela resulta da combinação entre dados confiáveis e decisões administrativas consistentes.

Reforma do setor elétrico e condomínios: prepare sua gestão para o que vem

A reforma do setor elétrico já possui base legal consolidada. A Lei 15.269/2025 define o caminho de abertura do mercado e reorganiza encargos.

O condomínio que ignora esse movimento mantém sua estrutura de custos sem revisão crítica. Com o avanço da abertura do mercado, essa postura pode limitar oportunidades de economia e planejamento.

Por outro lado, a administradora de condomínios eficiente antecipa cenários. Ao mapear consumo, avaliar mercado livre de energia, administrar e organizar contratos, ela amplia previsibilidade orçamentária e fortalece sua posição em assembleias.

Para que esse controle seja viável na prática, a gestão precisa de dados organizados e sistemas capazes de consolidar informações financeiras, operacionais e de consumo em um único ambiente. Sem esse nível de organização, decisões sobre energia tendem a se basear em estimativas pouco confiáveis.

Nesse contexto, a Group desenvolve soluções tecnológicas voltadas ao setor condominial. Entre elas está o Group Condomínios, ERP para administração de condomínios que centraliza rotinas financeiras, contratos, histórico de despesas e dados operacionais da gestão.

A empresa também oferece soluções específicas para gestão de consumo e energia. O Group Medições permite controlar e ratear consumos individuais de água, gás e energia, enquanto o Group Energia conecta condomínios a usinas solares compartilhadas, possibilitando compensação de créditos de energia diretamente na conta de luz.

Com dados centralizados e ferramentas integradas, a administradora consegue acompanhar consumo, organizar contratos e avaliar alternativas energéticas com muito mais segurança.

Se você quer estruturar sua gestão condominial estratégica diante das mudanças regulatórias, conheça as soluções da Group Software e avalie como preparar seus condomínios para a nova fase do mercado.

Perguntas frequentes sobre reforma do setor elétrico

Ainda tem dúvidas? Confira abaixo as principais perguntas sobre o tema:

O que muda na conta de luz com a reforma do setor elétrico?

A reforma altera regras de subsídios e amplia a abertura do mercado. Com o tempo, consumidores poderão escolher fornecedor, o que pode modificar a composição das tarifas de energia elétrica.

Quando os consumidores residenciais poderão escolher o fornecedor de energia?

A abertura do mercado para baixa tensão ocorre de forma gradual entre 2026 e 2028, conforme cronograma definido na Lei 15.269/2025.

Condomínios podem migrar para o mercado livre de energia?

Sim. Condomínios enquadrados como alta tensão já podem migrar. Os de baixa tensão terão acesso progressivo conforme a abertura mercado energia avançar.

Qual o prazo para condomínios de baixa tensão migrarem para o mercado livre?

O cronograma prevê etapas entre 2026 e 2028. A administradora deve acompanhar a regulamentação complementar para definir o momento adequado de migração.

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    Reforma do setor elétrico: o que muda para os condomínios?Alberto Teixeira

    Alberto Teixeira

    Com mais de 15 anos de experiência em produtos financeiros e crédito, Alberto Teixeira atuou como gestor no Itaú Unibanco e Diretor de Negócios e Estratégia na Unicred. Certificado CPA-20 pela ANBIMA e membro do Instituto Brasileiro Executivos de Finanças (IBEF), hoje é Diretor de Serviços Financeiros e Negócios na Group Software, onde lidera a vertical financeira do ecossistema de gestão de propriedades. No blog da Group, assina conteúdos sobre serviços financeiros.


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